Utilização das redes sociais

uso redes sociais charge    Desde pequenos todos nós escutamos falar e aprendemos na escola sobre as grandes revoluções que mudaram a realidade de países e também do mundo. A Revolução Francesa, que pregava a "liberdade, igualdade e fraternidade", os movimentos sociais que desencadearam nas Diretas Já!, marcando o fim da ditadura no Brasil, até chegarmos em nossa época atual, marcada por conflitos e manifestações na Primavera Árabe, cujo maior exemplo foi a queda da ditadura no Egito, que todos pudemos acompanhar praticamente em tempo real pelos meios de comunicação e pela internet. A principal diferença existente entre estes três momentos é a forma com que eles se disseminaram.
    Hoje podemos sentir a força que a internet e as redes sociais possui. Mesmo assim, com essa rica ferramenta nas mãos, grande parte dos brasileiros demonstra o tamanho de sua inércia perante fatos e acontecimentos que influenciam diretamente em suas vidas, apenas compartilhando frases de protesto, deixando sempre qualquer reação na teoria. Lembro-me bem da convocação realizada pelo fecebook da Manifestação contra a corrupção da Câmara dos Vereadores, que teve a participação de cerca de 500 pessoas que se concentraram na Praça Santos Andrade e caminharam até a Câmara, no dia 28 de setembro de 2011. Antes desta, outras manifestações foram organizadas, mas apesar das centenas de confirmações via facebook, compareciam poucas pessoas apenas. Outro exemplo das tentativas populares de igualdade, neste caso de gênero, foi a Marcha das Vadias, que recebeu inúmeras críticas por todo o país, mesmo se tratando de um movimento contra a violência, principalmente sexual, contra as mulheres. Esta e outras manifestações demonstram que existem grupos determinados a lutarem por uma causa. Outros exemplos são a Marcha contra a Corrupção, que também teve vários adeptos, e o Grito dos Excluídos, que toma corpo a cada ano. Se pensarmos na situação da Câmara Municipal e fizermos alguns cálculos, descobriremos que em Curitiba moram, aproximadamente, 1 milhão 764 mil pessoas. Sendo assim, a participação de apenas 500 pessoas representa apenas 0,02%, ou seja, nem um por cento dos curitibanos se mexeu frente à escândalos, corrupção e injustiças.
    Mesmo sabendo que o Brasil possui os parlamentares mais caros do mundo, que a pobreza ainda é grande, que a educação é precária, que pagamos duas vezes pela segurança, pela saúde, pela educação, pelas estradas estaduais e federais, que agora o combustível também nos esfola, o máximo que as pessoas conseguem fazer é compartilhar e comentar piadinhas sobre o "assalto" aos consumidores. Ações concretas não existem. Quando se tenta alguma reação, ela morre na praia pela falta de participação popular. Enquanto isso, a maioria dos brasileiros utiliza as redes sociais para entretenimento, as notícias mais acessadas são sobre futebol e vai pular carnaval enquanto os políticos fazem festas regadas a champagnes caríssimos e caviar às nossas custas. Pena ter que dizer que isso é Brasil e mais lamentável ainda é que cada um de nós tem sua parcela de culpa.

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