Editorial março / abril 2017

 Amigos...

 A mesma nação que enfeita suas crianças com cocares de papel e rostos pintados no dia do índio, ignora os milhares de indígenas que estão sendo expulsos de suas terras e mortos, sem que haja comoção nacional. Em um país em que os jovens participam voluntariamente de jogos que os encorajam a acabar com suas próprias vidas, em uma sociedade onde existirem moradores de rua não choca, onde crimes são banalizados e as pessoas tiram selfies com famosos assassinos, fica difícil acreditar no futuro da humanidade. Em uma pátria que exclui ao invés de acolher, que prefere o caos à justiça, onde se dar bem é uma prática levada ao extremo, doa a quem doer, sinto pena da nossa insanidade coletiva.  Tudo de ruim que acontece, é fruto do que plantamos com o nosso descaso, com a nossa ignorância. 

 Cansei de escutar que ler é chato, que estudar é um saco, pois aqui as pessoas se orgulham das favelas, não que os que vivem nestas condições não mereçam respeito, mas também não deveríamos achar que isso é normal, só porque aqui no Brasil é mais comum do que se imagina. Aqui em Curitiba as favelas são escondidas, devido ao nosso relevo, mas quando vamos um pouco mais longe, as enormes favelas se destacam nos morros, mostrando que a desigualdade é sim uma preocupação que deveríamos ter. Não deveríamos ter orgulho de termos favelas, deveríamos é ter vergonha de ter deixado chegar nesta situação. Nossa sociedade está falida e o primeiro passo para recuperarmos nossa dignidade é assumirmos isso. Temos que ter consciência de que damos valor ao que não interessa e ignoramos o que deveria nos revoltar, somente aí podemos promover a mudança. Vendo estes jovens jogadores de baleia azul, percebemos que a esperança no futuro está mais perto de uma fantasia, ainda mais com o que estamos fazendo com nossas crianças. Achar que está nas mãos delas mudarem o mundo, não passa de uma mera desculpa para que não façamos nada hoje. Continuamos jogando a responsabilidade em cima das próximas gerações, dos nossos próprios filhos e netos, situação que beira ao ridículo. 

 Temos que prestar mais atenção nos sinais que o mundo está nos dando, porque daqui a pouco tempo, não teremos mais mundo para cuidar.

Acesse Também!

Guia Caderno

Campo de Santana

Anunciantes